Princípios Básicos da Ultrassonografia Pulmonar

Ultrassom e Ar
O ultrassom é uma onda sonora cuja frequência é maior que a capacidade auditiva humana. As ondas ultrassonográficas com aplicação para geração de imagens têm geralmente frequências acima de 1 Megahertz (1 MHz). O ultrassom não consegue atravessar de forma eficiente o ar e em decorrência disso praticamente não penetra os pulmões normais aerados. Como a geração da imagem por meio do ultrassom pressupõe a formação de ecos a partir de estruturas com diferentes densidades, o que é chamado de impedância acústica, a incapacidade do ultrassom atravessar meios aerados impossibilita a formação de qualquer imagem. O líquido e a maioria das substâncias corporais conseguem transmitir bem o som. A interpretação da ultrassonografia pulmonar, dessa forma, não se dá pela visualização dos ecos do parênquima dos pulmões, na maioria das vezes, mas sim, pela análise dos ecos gerados por pleuras, líquido pleural ou outras estruturas no parênquima pulmonar, logo abaixo da pleura, o que permite a criação de uma interface com o ar dos pulmões.
Diversos artefatos foram analisados e correlacionados com estados de normalidade ou de doença. Grande parte da terminologia usada em ultrassonografia pulmonar é recente e ainda não completamente incorporada por todos, mas independentemente da nomenclatura utilizada, para começar a entender os padrões patológicos ultrassonográficos é essencial saber identificar os achados normais dos pulmões.  

Equipamento 
O aparelho de ultrassonografia necessário à realização do exame pulmonar é do tipo bidimensional. Em princípio, não há necessidade de Doppler ou quaisquer tipos de filtros, e um transdutor com pelo menos 3,0 MHz pode ser utilizado, seja ele linear ou curvo. Uma maior frequência ultrassônica é preferível, mas não indispensável, entretanto, permitirá apreciar de maneira mais nítida o “deslizamento pulmonar”, que é uma imagem bastante delicada e pode não ser nitidamente visualizada por meio de transdutores com frequências mais baixas.

Obtenção das imagens 
Para o iniciante, recomenda-se que o transdutor esteja perpendicular em relação ao tórax do paciente, nos espaços intercostais (figura 1). Em seguida, o examinador identificará as sombras acústicas (imagens anecóicas - cada eco é mostrado como um ponto branco na tela do equipamento de ultrassom - quando não há eco, o que ocorre quando o ultrassom encontra o osso e é completamente refletido ao trandutor, não aparecem pontos brancos e a imagem gerada é negra) da costela superior e inferior e a “linha pleural”, que é uma imagem linear horizontal hiperecóica (as pleuras, por serem muito densas, refletem muita energia ultrassônica e aparecem como estruturas formadas por muitos pontos brancos na tela), detectável a invariavelmente 0,5 cm da superfície externa das duas costelas (figura 2). É importante o reconhecimento correto dessas estruturas, para que se identifique adequadamente a linha pleural, pois isso evita confusão entre essa imagem, que é indispensável para a análise do exame ultrassonográfico pulmonar, com outras imagens horizontais eventualmente presentes. O registro de imagens em modo M é opcional e recomendado somente para facilitar a documentação do exame em prontuário médico e também porque ocasionalmente pode ajudar a identificar o deslizamento pulmonar, o qual pode ser uma imagem um pouco mais difícil de ser reconhecida pelos iniciantes no método. 

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