Introdução

Introdução
A radiografia de tórax, o método de imagem mais utilizado para visualizar os pulmões dos pacientes gravemente enfermos, é marginalmente precisa, nesse contexto, para avaliar opacidades ocasionadas por alterações cardiopulmonares, sendo completamente inespecífica para determinar a etiologia desses achados. Alterações parenquimatosas unilaterais, como atelectasias, pneumonias, hemorragias alveolares, tromboembolismo pulmonar, edema de pulmão, assim como neoplasias, podem parecer indistintos quando apreciados por esse exame na beira de leito no paciente grave. Pneumotórax podem passar despercebidos à radiografia, apesar desse exame ser frequentemente utilizado como método de triagem após punções venosas centrais, por exemplo. 
A tomografia computadorizada de tórax, apesar de agregar informações diagnósticas à radiografia de tórax em até 70% das ocasiões e determinar mudança de tratamento em quase 40% das vezes, apresenta limitações óbvias relacionadas a custo e riscos para o paciente, principalmente aqueles relacionados ao transporte.  
A utilização da ultrassonografia torácica no contexto da avaliação e diagnóstico de pacientes graves era restrita a objetivos muito específicos, como diagnosticar e quantificar efusões pleurais e ocasionalmente orientar a realização de punções para retirada de líquido pleural. O exame era considerado inútil para avaliar outras patologias respiratórias, em decorrência do fato de que os pulmões cheios de ar impede a propagação das ondas ultrassônicas e impossibilitam a criação de imagens bidimensionais do parênquima pulmonar aerado. O campo da ultrassonografia pulmonar se desenvolveu nos últimos anos graças às observações pioneiras de Daniel A. Lichtenstein, médico intensivista francês, o qual conseguiu sistematizar a análise de diversas imagens, anteriormente consideradas anárquicas e impossíveis de interpretar. Durante anos, esse pesquisador analisou as imagens geradas à ultrassonografia, correlacionou-as aos achados da tomografia de tórax e por fim conseguiu sistematizar uma repertório de imagens interpretáveis e clinicamente úteis.

Referências:
Henschke C I, et al., Accuracy and efficacy of chest radiography in the intensive care unit. Radiol Clin North Am, 1996. 34(1): p. 21-31.
Mirvis S E, et al., Thoracic CT in detecting occult disease in critically ill patients. AJR Am J Roentgenol, 1987. 148(4): p. 685-9.
Picano E, Sustainability of medical imaging. BMJ, 2004. 328(7439): p. 578-80.
Fan E, et al., Outcomes of interfacility critical care adult patient transport: a systematic review. Crit Care, 2006. 10(1): p. R6.



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